A sala de reunião precisa de privacidade visual, mas o escritório não pode perder luz natural. O corredor tem fluxo intenso de pessoas e carrinhos. A recepção deve transmitir amplitude sem abrir mão da segurança. Em todos esses casos o vidro aparece como solução — e a mesma dúvida surge na especificação: divisória com vidro laminado ou temperado?
Resposta direta: são dois vidros de segurança que resolvem riscos diferentes. O temperado é até cinco vezes mais resistente que o vidro comum e quebra em fragmentos pequenos. O laminado mantém os fragmentos presos à camada intermediária e preserva o vão fechado após a quebra. Em divisórias corporativas, a escolha depende do risco de impacto, do desnível entre ambientes, da acústica e do uso do espaço.
A diferença real entre os dois vidros
Os dois são classificados como vidros de segurança pela ABNT NBR 7199:2025 — junto ao laminado, apenas o temperado permanece nessa categoria; o vidro aramado deixou de ser considerado vidro de segurança na atualização publicada em junho de 2025 (ABRAVIDRO, 2025).
A diferença está na forma como cada um protege.
Vidro temperado: resistência mecânica e quebra segura
O temperado passa por aquecimento em torno de 700 °C e resfriamento rápido com jatos de ar, o que cria tensões internas que aumentam sua resistência. Segundo a Abravidro, ele é até cinco vezes mais resistente mecanicamente que o vidro comum e suporta variações térmicas de até 200 °C entre faces.
Na quebra, se desintegra em fragmentos pequenos e menos cortantes. É a opção típica quando o objetivo é resistência a impacto e comportamento de quebra seguro em painéis amplos.
Duas limitações importantes: depois de temperado, o vidro não pode ser cortado, furado ou recortado — furações e recortes precisam ser previstos antes. E, por fragmentar-se totalmente, o vão fica desprotegido após a quebra.
Vidro laminado: retenção e vão protegido
O laminado é formado por duas ou mais chapas unidas por uma camada intermediária (PVB, EVA ou resina). Como explica Vera Andrade, coordenadora técnica da Abravidro: “Em caso de quebra do laminado, seus cacos ficam presos à camada intermediária.”
O ganho vai além de evitar cortes: o conjunto impede a passagem de objetos grandes e mantém o vão fechado até a substituição da peça. Por isso é obrigatório onde a proteção contra queda é essencial — a NBR 7199:2025 exige laminado de segurança classe 1 em vãos abaixo de 1,10 m do piso que dividem ambientes com desnível maior que 1 m (ABRAVIDRO, 2026).
Há ainda o laminado temperado, que combina a resistência mecânica do temperado com a retenção de fragmentos do laminado — composição indicada quando o projeto exige maior resistência, como em instalações autoportantes e fixações pontuais.
O que a norma exige em divisórias corporativas
A ABNT NBR 7199:2025, agora intitulada Aplicações de vidros na construção civil — Requisitos, é o ponto de partida para a especificação. Para ambientes corporativos, três pontos merecem atenção:
- Divisórias envidraçadas devem utilizar apenas vidros de segurança (temperado ou laminado).
- Portas de vidro exigem vidro de segurança em toda a altura, independentemente da cota, e nas áreas adjacentes até 600 mm de cada lado, com temperado ou laminado classe 1 ou 2.
- Ambientes com grande concentração de público — auditórios, restaurantes, centros de convenções, espaços de atendimento — passam a exigir vidro de segurança até 1,8 m de altura em relação ao piso.
A norma define o mínimo obrigatório. Ela própria recomenda avaliar vidro de segurança também nas aplicações em que o incremento de proteção é desejável — o que, na prática, cobre boa parte dos ambientes corporativos.
Aplicações práticas no escritório
Salas de reunião e cabines acústicas: o laminado tende a ser mais interessante quando se busca conforto acústico e privacidade. O desempenho depende da composição, da espessura das chapas e do tipo de interlayer especificado pelo fabricante; películas acústicas e vidro duplo com persianas internas ampliam esse controle.
Estações de trabalho e painéis baixos: painéis de menor altura, sem função de barreira física, comportam temperado pela resistência e pela leveza visual, respeitando as exigências de segurança da aplicação.
Divisórias piso-teto: aqui entram espessura, dimensão das peças, sistema de fixação e peso. É o cenário em que o laminado temperado costuma ser avaliado com mais frequência, pela combinação de rigidez e retenção de fragmentos.
Circulação, escadas, rampas e recepções: áreas de maior risco de impacto pedem atenção redobrada. A norma exige vidro de segurança até 1,5 m em peças instaladas a menos de 1,5 m de escadas e rampas — e ambientes de uso especial, como espaços com crianças ou idosos, têm exigência ampliada até 1,8 m.
Como avaliar a escolha certa
Antes de definir, vale responder a algumas perguntas objetivas:
- Existe desnível entre os ambientes separados pela divisória?
- Há circulação intensa, carrinhos, mobiliário em movimento ou risco de impacto próximo ao piso?
- A divisória faz parte de rota de fuga ou de ambiente com concentração de público?
- O ambiente exige controle acústico ou privacidade visual?
- Qual o vão máximo e o sistema de fixação previsto (perfil, ferragem aparente, fixação pontual)?
- O projeto já considera manutenção e reposição de peças?
Vale reforçar: não existe resposta única. A indicação ideal depende do modelo especificado, das especificações técnicas do produto, das condições do ambiente e da finalidade de uso. Por isso, a definição de composição e espessura deve ser feita com apoio técnico, e não apenas por comparação de preço por metro quadrado.
Como a Interiores Soluções Corporativas pode ajudar
A Interiores trabalha com divisórias corporativas em vidro total simples e duplo, vidro duplo com persianas, vidro polarizado, divisórias cegas em MDF, painéis baixos, cabines acústicas, portas telescópicas e biombos — além de mobiliário, assentos, piso elevado, caixas de tomadas e serviços de montagem, desmontagem, assistência técnica e estruturação de cabeamento.
Na prática, isso significa avaliar a demanda junto ao arquiteto, ao designer de interiores ou ao gestor de facilities, identificar a composição compatível com o uso real do ambiente e apresentar as informações técnicas do produto antes da decisão. A definição final da composição do vidro deve sempre considerar o projeto e as especificações do fabricante.
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Resumo
Temperado e laminado são vidros de segurança, mas protegem de formas diferentes: o temperado oferece alta resistência mecânica e quebra em fragmentos pequenos; o laminado retém os fragmentos e mantém o vão protegido após a quebra. Em divisórias corporativas, a NBR 7199:2025 exige vidro de segurança e amplia as exigências em portas, áreas adjacentes e ambientes de grande circulação. A escolha certa depende do risco de impacto, do desnível, da acústica pretendida e do uso do espaço — sempre confirmada com apoio técnico.
Fontes consultadas
- Atualização da ABNT NBR 7199 é publicada — ABRAVIDRO (jul/2025)
- A nova ABNT NBR 7199: maior segurança no uso de vidros na construção civil — CBIC (jul/2025)
- Quais são os tipos de vidro de segurança? — ABRAVIDRO (fev/2026)
- Proteção garantida — ABRAVIDRO / revista O Vidroplano
- A importância de cumprir a norma para guarda-corpos — ABRAVIDRO
- Norma revisada abordará diferença na quebra de temperados em laminados — ABRAVIDRO (out/2024)
